8M – Onde o território é esquecido, as mulheres resistem!

8M - Onde o território é esquecido, as mulheres resistem!​

08 de março de 2026

Dia 8 de março ocupamos as ruas!

No próximo 8 de março, juntamo-nos para afirmar que não há igualdade sem justiça territorial e que os direitos das mulheres não podem depender do código-postal. Apelamos à participação de todas e todos na concentração no Mercado 2 de Maio, a partir das 15h30, em Viseu, para dar voz às vivências das mulheres em todo o território e reforçar a luta por políticas públicas que respondam às nossas realidades. Porque onde o território é esquecido, as mulheres resistem.

Manifesto 8M 2026

Subscrever o Manifesto

Este ano, o nosso Manifesto tem como tema a situação da mulher no território português, com vista a retratar as nossas razões para lutar pelos nossos direitos em Portugal.

Através desta abordagem, pretendemos trazer à reflexão as vivências femininas ao longo do território português e expor as realidades e dificuldades enfrentadas pelas mulheres nas diferentes áreas do país.

A construção de uma sociedade justa e sustentável não prescinde da igualdade de género. A exploração e as desgraças promovidas pelo patriarcado afetam as mulheres e as meninas e o território de forma direta e, quanto mais massacrada ou esquecida é uma parte do território, mais sofrimento será imposto às mulheres que aí residem e desenvolvem as suas atividades.

O exercício dos direitos humanos das mulheres torna-se ainda mais penoso quando o espaço territorial não recebe incentivos de políticas públicas de forma uniforme ou consoante as suas demandas específicas e quando as suas necessidades não são prioridades dos decisores políticos.

Segundo os Censos de 2021, o território português é maioritariamente feminino, sendo formado por 52,4% de pessoas que se identificaram como mulheres. Ao tornarmo-nos mulheres num território onde somos maioria em números e não alcançamos sequer a paridade em posições de domínio político, económico e social, sofremos violência de género: a exclusão e o percurso dificultoso que nos é imposto constituem não apenas uma desigualdade, mas também uma ofensiva ao nosso género.

A segregação que a misoginia impõe afeta a extensão do continente e das ilhas, isolando mulheres e fazendo com que as nossas escolhas tenham de ser limitadas ao desenvolvimento da região em que vivemos, mesmo quando a mudança geográfica, os deslocamentos internos entre áreas do país ou a emigração são as opções que as mulheres possuem para sobreviver e buscar evolução, individualmente ou em família.

Ainda se observa um maior exercício e reconhecimento destes direitos, bem como a integração de mulheres e meninas no território português, em áreas mais desenvolvidas e com maior viabilidade económica, tanto de mulheres nacionais como de mulheres migrantes, o que nos mostra que os investimentos feitos no país impactam diretamente o bem-estar e o avanço de meninas e mulheres.

Clamamos por maiores investimentos em centros de formação e geração de emprego que contemplem as mulheres e os seus direitos laborais: somos sujeitas desses direitos e merecemos exercê-los, sem prejuízos e preconceitos em relação ao género, que culminam em diferenças salariais absurdas e injustas e também não contratações e despedidas arbitrárias pelo simples fato de ser MULHER, evitando assim a deterioração das relações laborais e contribuindo para uma maior produtividade do país nos setores público e privado.

Exigimos maior atenção à saúde da mulher no SNS: gratuitidade absoluta e revisão dos critérios para o rastreio do cancro da mama, gratuitidade de métodos contracetivos pagos, como o DIU, e campanhas de combate à pobreza menstrual, que infelizmente é uma realidade enfrentada por mulheres que vivem em Portugal, portuguesas ou estrangeiras. Maior disponibilidade de urgências pediátricas e de obstetrícia também devem estar nesta luta, pela proteção aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e meninas. 

Sem excluir e discriminar mulheres LGBTQIA+ , cis e trans, que no quotidiano enfrentam muitos desafios no lugar de existência e necessitam de ser inseridas na sociedades como detentoras dos mesmos direitos das pessoas normativas no que se refere ao trabalho, ao direito à saúde, à existência e à visibilidade.

Não esquecendo ainda as trabalhadoras sexuais que muitas vezes não têm o mínimo dos direitos como cidadãs respeitados, tolhidos ainda pela concepção moral da sociedade que as sujeita a violências diárias por parte do Estado e das pessoas, elas que estão à margem no que se refere principalmente à saúde e à dignidade humana.

Pedimos paridade no sistema judicial: que as mulheres possam estar em igual número nos tribunais superiores — Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Administrativo —, pois estes são formados maioritariamente por homens.

O ambiente académico e científico também sofre com o preconceito e a misoginia: existe um número dispare  de mulheres a chefiar departamentos, institutos, universidades, comparativamente a homens que ocupam estas posições, apesar de sermos um dos países da União Europeia em que as mulheres são a maioria na investigação.

Reivindicamos aos partidos políticos que incentivem a liderança e as candidaturas femininas para o Executivo e para o Legislativo: atualmente, cerca de 15,6% das câmaras municipais em Portugal possuem mulheres como autarcas, contra 85% de homens eleitos como presidentes de câmara, o que representa um avanço em relação aos últimos anos, quando tínhamos ainda menos mulheres a ocupar este cargo.

Na Assembleia da República, apenas um terço dos parlamentares é formado por mulheres: quem, de facto, nos representa e luta pelos nossos direitos, senão uma semelhante?

A luta pelos direitos das mulheres no território português justifica-se pelo feminismo interseccional: a luta contra as desigualdades estruturais, de acordo com as assimetrias que diferenciam e aproximam os direitos que importam e atingem todas as mulheres, sem exclusão e seletividade. Os direitos das mulheres migrantes, independentemente da sua origem, cor ou credo, são igualmente direitos das mulheres e, portanto, direitos humanos, devendo ser protegidos e priorizados. 

A Constituição da República Portuguesa, onde a igualdade de género está consagrada no artigo 13.º, deve ser cumprida na sua plenitude, possibilitando a sua implementação através de Planos Nacionais e Regionais de Ação com foco no combate às desigualdades que tanto contribuem para que a prosperidade do país seja de concretização distante e até mesmo utópica.

Aqui, somos maioria, e a nossa pluralidade e diversidade importam e não devem ser privadas da sua abrangência.

As mulheres são Portugal.
Portugal somos nós.

(em atualização)

ORGANIZAÇÕES

Associação Olho Vivo – Núcleo de Viseu
Bloco de Esquerda
Clube Safo
Inércia do Tempo – Associação LGBTQIA+
PAN Viseu
SOS Racismo
UMAR

EM NOME INDIVIDUAL

Taís Loureiro Santos
Tiago Resende
Célia Rodrigues
Wilson Santos
Gisele Oliveira
Catarina Vieira e Castro
Ana C. D’assenza
Mariana Silva
Cristina Sousa
Carlos Motaco
Jó dos Santos Lima
Manuela Maria Coelho Antunes
Mariana Carneiro
Maria da Graça Marques Pinto
Rita Marques Pinto Simões
Maria Adelaide Rosa Osório
Ricardo Isaías
Maria Elisa Fraga
Lúcia Maria de Abreu Vilhena
Leonardo Pacheco
Rita Freitas
Adriana
Beatriz Silva
Liliana Rodrigues
Pedro de Aires
Vitor Gabriel
Beatriz Pires
Idalina Rodrigues
David Santos
Sergio Maia
Adriane Carpilovsky
Cristina Teixeira
Carolina Pia
Rita Loureiro
Carolina Sofia Oliveira Moreira