Plataforma assinala Dia Internacional da Visibilidade Trans com Sessão de Cinema

“Universo Trans: Entre direitos e arte” intitula-se assim a iniciativa para o dia 31 de março, Dia Internacional da Visibilidade Trans, com a exibição de três curtas-metragens portuguesas, seguida de uma conversa com ativistas e artistas Queer e Trans, no Círculo de Criação Contemporânea de Viseu – Polo 1, a partir das 21h30. A entrada é livre!

A Plataforma Já Marchavas assinala este dia dando destaque a três narrativas sobre a realidade Trans em Portugal: em “Purpleboy” encontramos a violência binária de género contra jovens LGBTQIA+; em “O Teu Nome É” temos um olhar sobre a trágica morte de Gisberta Salce Júnior (transexual, seropositiva, toxicodependente e sem-abrigo, assassinada em 2006 no Porto); e em Um Caroço de Abacate”, realizado por Ary Zara, com Ivo Canelas e Gaya de Medeiros, um filme sobre um encontro entre uma mulher trans e um homem cis na noite de Lisboa. O filme foi ainda um dos 15 pré-nomeados ao Óscar de melhor curta-metragem.

Para debater os filmes, assim como os direitos da população trans, intersexo e não binária, que estão a ser alvo de intensos ataques da extrema-direita e a um apagamento de conquistas um pouco por todo o mundo, estarão presentes para uma conversa informal Alexandre Siqueira (realizador), Atena (artista), David Rodrigues (ativista), Micael de Almeida (artista do Grupo Performativo Re:Star’t) e Ricardo Isaías (ativista).

Sessão de Cinema + Conversa

Purpleboy (de Alexandre Siqueira, 2019, Portugal, Animação/Documentário, 14′)
Sinopse: Oscar é uma criança que germe na horta dos seus pais. Ninguém sabe o seu sexo biológico, mas ele reivindica o género masculino. Um dia, Oscar vive uma extraordinária mas dolorosa aventura num mundo autoritário e opressivo. Conseguirá ele ter o reconhecimento de identidade que tanto deseja?

O Teu Nome É (de Paulo Patrício, 2021, Portugal, Animação/Documentário, 24′)
Sinopse: Um olhar sobre o caso do assassinato de Gisberta Salce Jr., transexual, seropositiva, toxicodependente e sem-abrigo que foi violentamente torturada durante vários dias por um grupo de 14 adolescentes no Porto, em 2006. Com testemunhos de amigas transexuais de Gisberta, assim como entrevistas inéditas a dois dos envolvidos no caso. Abordando conceitos como memória, violência, condição social, discriminação e identidade de género, “O Teu Nome É” confronta dessa forma diferentes perspectivas e dimensões da condição humana.

Um Caroço de Abacate (de Ary Zara, 2022, Portugal, Ficção, 20′)
Sinopse: Larissa, uma mulher trans e Cláudio, um homem cis encontram-se numa noite em Lisboa. São duas pessoas com realidades dispares que até ao amanhecer fazem a sua troca de mundos numa dança cativante que os desafia. Uma história de empoderamento, livre de violência para nos despertar dias melhores.


Biografias

Alexandre Siqueira: Nasceu no Rio de Janeiro em 1980. Desde 2000 já trabalhou em vários projectos de cinema curto de animação. Em 2008, fez uma especialização em realização de cinema de animação na escola La Poudrière, em França, período em que produziu várias curtas-metragens. O seu filme ‘Voyage au Champ de Tournesols’ permitiu-lhe iniciar o percurso das suas obras pelo circuito de festivais internacionais. O seu último filme é Purpleboy, curta-metragem animada que apresenta largas dezenas de selecções e prémios em festivais.

Atena:

David Rodrigues: Voluntário na ILGA Portugal.

Micael de Almeida:Tem 35 anos e nasceu em Viseu. Fez o secundário em Línguas e Literatura, ingressou na ESMAE no curso de Teatro – variante Interpretação, mas não concluiu. A sua primeira experiência em palco foi com 12 anos e conta já com mais de 20 anos de experiência no teatro. Frequentou diversos workshops e formações nas mais variadas áreas performativas. Já foi ator e encenador de alguns grupos amadores, sendo no Grupo Performativo Re:Star’t (do qual é fundador) que exerce atualmente essas funções. Na data presente, frequenta o curso de Artes Performativas na Escola Superior de Educação de Viseu, trabalha como técnico de caracterização numa produtora e trabalha como ator na Associação AFTA – Grupo OFF, em Viseu. Para além da escrita, que pratica de forma informal e como terapia, Micael é um apaixonado pela arte do transformismo e apesar de serem esporádicas as suas apresentações, nascem sempre de uma “necessidade militante”.

Ricardo Isaías:  (1999, Viseu) É ativista e membro da plataforma Já Marchavas, tendo participado na organização da Marcha LGBT de Viseu e de várias iniciativas jovens pela inclusão e diversidade queer em Viseu. Sendo investigador científico de formação, advoca também as importantes questões da inclusão e representatividade queer na ciência.