Recentemente, verificaram-se, de Norte a Sul do nosso país, várias agressões por grupos de neonazis a cidadãos portugueses pacíficos. A primeira agressão foi a Adérito Lopes, ator de A Barraca, no dia 10 de junho, em Lisboa. Posteriormente, no Porto, outro grupo neonazi agrediu duas voluntárias da Casa – Centro de Apoio a Pessoas Sem Abrigo, alegadamente por prestarem apoio humanitário a alguns estrangeiros. Ontem, em Guimarães, houve outra brutal agressão a Ricardo Ruão Pires pelo líder da cédula de Guimarães dos neonazis do Grupo 1143, João Peixoto. Ricardo teve de ser transportado de ambulância para o Hospital. A PSP foi chamada e está a acompanhar o caso.
Estas bárbaras agressões constituem não só crimes que devem ser julgados e condenados pela Justiça, mas configuram, sem dúvida, também manifestações de ódio racista e xenófobo que merecem o repúdio de todas as pessoas que não prescindem de viver em democracia e em paz, numa sociedade multicultural como as que quase sempre existiram, desde há milénios, no nosso território, de que somos herdeiros.
O facto de já terem sido identificados os agressores, incluindo um dos que agrediram o ator que protagoniza o papel de Camões na peça “Amor é um fogo que arde sem se ver”, em cena na Barraca, que esteve implicado na “caça ao negro” no dia 10 de Junho de 1995 que levou ao assassinato de Alcídio Monteiro, por neonazis ligados a Mário Machado (que foi preso recentemente), bem como um dos que no Porto agrediu as duas voluntárias e ainda um agente da PSP, e o líder do grupo 1143 de Guimarães, não deixa dúvidas sobre a perigosidade destes grupos para a cidadania, a cultura nacional e a convivência cívica entre todas as pessoas que residem em Portugal, pelo que exigimos uma célere e eficaz acção da Justiça.
Quando a ministra responsável esconde do público o capítulo do RASI (Relatório Anual de Segurança Interna) sobre os riscos e o perigo de grupos de extrema-direita a atuar no nosso país, alguns com ligações a movimentos neonazis estrangeiros, temos de exigir o apuramento de responsabilidades e acções concretas de combate a estes grupos neofascistas e a outros movimentos e partidos que espalham abertamente discursos de ódio racista, xenófobo, homofóbico e outras discriminações proibidas pela Constituição da República Portuguesa.
Não nos calamos perante o ódio!